"O mais fundamental é o progresso da ciência, que tem sido realmente extraordinário, eis o que caracteriza nosso século", Eric Hobsbawm.
Nos últimos tempos, o progresso tecnológico aumentou muito, mas o que é tecnologia sem a responsabilidade e a cidadania que é preciso para viver em sociedade? O progresso tecnológico foi e ainda será muito grande neste século, mas deve haver outra meta a ser alcançada: o progresso da ética.
Tecnologia é bom, criamos curas pra doenças, criamos meios de transporte mais eficientes, meios de comunicação cada vez mais interativos e funcionais. Temos facilidades que nunca imaginaríamos ter. Quando os escritores do século XX imaginariam que poderíamos ler livros apenas tocando numa tela, ou, na época do filme mudo e em preto e branco, as pessoas imaginariam que a imagem poderia “sair da tela”? Mas, infelizmente, coisas negativas são criadas como armas e até doenças, quando imaginaríamos que fossemos criar doenças?
No mundo, a ética e a responsabilidade não evoluíram junto com a tecnologia. “Como?”, você me perguntaria. Só pensar: existem pessoas no mundo que dizem: “eu estudei muito e trabalhei mais ainda para construir uma bomba nuclear e ameaçar outro país!”
Nessa frase o atraso da ética em relação à tecnologia é claro. “Evoluímos” tanto, e atualmente temos a tecnologia para destruir o mundo três vezes se quisermos, a pergunta que fica é: “evoluímos tanto, mesmo?”.
Com o avanço da tecnologia, estamos produzindo armas cada vez mais destrutivas, que são usadas em guerras e criando doenças que matam muita gente. O resultado do atraso ético que nossa sociedade vive? Só saberemos quando o mundo estiver acabado.
Você pode me perguntar: “Como acabar com isso?”, e eu responderia: “Não acho que se possa acabar com isso, a menos que as pessoas mudem a maneira de tratar outras pessoas”.
Ética se aprende na escola, em casa, com familiares e amigos. Eu pergunto: “Como podemos confiar nessas entidades?”.
Temos relatos de babás que batem em crianças, professores que não se preocupam com a formação dos alunos e querem apenas “cumprir” sua obrigação e pais ausentes, então pense em uma criança que tem esses problemas, como ela se tornará alguém responsável, ético, preocupado com o futuro do planeta e da sociedade, se para ela o mundo é tão caótico? O que podemos esperar de um menino pobre, que mora numa casa de apenas um cômodo e é obrigado a ver a mãe transando em sua frente e tendo cada vez mais filhos? O que podemos esperar de um jovem da favela, que convive com o crime, as drogas e a morte? O que podemos esperar de um mundo onde alguém trabalha o dia inteiro para ganhar quinhentos reais por mês, enquanto um amigo mata, rouba, trafica e ganha mais de quatro mil?
É, a realidade é dura.
É difícil se sentir impotente diante de tudo isso, é difícil não saber se pode confiar no político em quem vota, é muito difícil não confiar na própria sociedade.
A pergunta que deixo é: Podemos mudar tudo isso, mas como?
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